Carta em Defesa dos Municípios

Carta em Defesa dos Municípios

A Marcha Paulista em  Defesa dos Municípios 2011, realizada nos dias 21 e 22  de novembro, acumulou avanços significativos na busca pelo diálogo entre o  Governo do Estado de São Paulo e seus Municípios.

O governo paulista sentou-se à mesa de debates para construir de forma  conjunta com os Prefeitos políticas públicas capazes de solucionar os  problemas vivenciados pelo povo paulista.

Esse é o objetivo da Marcha Paulista, que nasceu com a missão de aprofundar  o pacto federativo, estabelecido pela Constituição de 1988, compartilhando  com o Governo do Estado a responsabilidade por serviços que hoje  sobrecarregam os Municípios.

Um processo legítimo, que tem como principal beneficiário cada um dos mais de 41 milhões de cidadãs e cidadãos que vivem nos 645 municípios do Estado de São Paulo.

Em 2011, foram debatidos quatro importantes temas ao longo dos dois dias de Marcha Paulista: metropolização, segurança pública, meio ambiente e judicialização da gestão municipal.

Metropolização – O debate sobre a metropolização das cidades paulistas faz parte do diálogo do Federalismo, instituído na Constituição em 1988. Estamos construindo uma relação de respeito entre os entes federados União, Estado e Município, que tem muito que avançar, tanto na redistribuição dos recursos, quanto nas responsabilidades estabelecidas no pacto federativo.

Processo de metropolização ocorre num cenário em que ele não pode acontecer  sem a participação conjunta entre União, Estado e município. A grande  maioria da população do Estado, 96%, vive em áreas urbanas. O planejamento  de desenvolvimento deve levar em conta a questão da geração de empregos e da  mobilidade e um dos vértices é o município. Precisamos construir esse  diálogo e formatar estruturas democráticas permanentes, independentemente de  governos.

Com a criação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Metropolitano, a  agenda metropolitana está aparecendo, mas precisamos avançar em uma agenda  de desenvolvimento regional integrado, com o objetivo de contemplar regiões  não previstas nos planos de metropolização ou aglomeração urbana. Precisamos  ainda mensurar os resultados dos projetos hoje em vigor, com o objetivo de  corrigir eventuais falhas.

Devemos construir agendas regionais, expandindo a atuação municipal e  acumular consensos e cooperação entre Estado e Municípios. A iniciativa da  Marcha Paulista é encurtar o caminho desse diálogo. O município sozinho ou o  Estado por si só não avançam mais. As demandas têm de ser trabalhadas de  forma conjunta.

Segurança Pública – Com relação à Segurança Pública, os Municípios cobram  critérios objetivos e claros por parte do Estado para a distribuição do  efetivo de policiais civis e militares nos Municípios e correção das  distorções que levam cidades com pequeno índice de criminalidade a ter mais  policiais que localidades com maior incidência de ocorrências criminais. É  preciso se rediscutir parcerias e convênios porque os Municípios não
suportam mais essa sobrecarga. Além da evidente necessidade de ampliar o  número do efetivo Civil e Militar

Há uma série de ações pertinentes ao Estado que são incorporadas e mantidas  pelas Prefeituras, comprometendo as ações de manutenção urbana com gastos de  competência do ente estadual, como aluguel de prédios e pagamento de  funcionários. O Estado deveria, nesse caso, repassar recursos para que o  município não precise remanejar verbas que seriam usadas para manutenção  urbana.

O poder público tem atribuições das quais não pode se furtar. Há que se  ressaltar que não se pode falar em parcerias e convênios como se fosse uma  saída única para um papel que o Estado não consegue cumprir.

Meio Ambiente – O atraso na emissão do licenciamento ambiental por parte da  Cetesb se configura como um grave problema para a construção de novos  equipamentos públicos indutores do desenvolvimento econômico e social de  nossas cidades. Há também o regramento, a pactuação e as demandas judiciais.  O licenciamento ambiental é um gargalo que afeta os municípios.

Quando nos limitamos a fazer regras, mas sem legislar com clareza, delegamos  a interpretação disso para a burocracia ou para o corpo técnico, que pode  paralisar um projeto que cumpriu todas as regras vigentes por critérios  subjetivos de interpretação. Sem deixar claro o que é impacto, obrigação ou  medida mitigadora isso vai encarecer as soluções ambientais, tornando-as  mais distantes. A demora que os municípios levam para implantar projetos é  insustentável.

Judicialização – Para além das dificuldades já conhecidas, os Municípios  paulistas no desempenho de suas obrigações constitucionais têm enfrentado  uma crescente escalada de judicialização de suas atividades e não raro o  Judiciário e o Ministério Público tem tomado decisões que obrigam os  municípios a executar tarefas e fornecer insumos que lhes acarretam novas  despesas, quase nunca previstas em orçamento.

Sob o manto de uma pretensa proteção de direitos, a judicialização força os  municípios a assumirem tarefas que não poderiam, causando desorganização de  suas finanças e de seus orçamentos.

A proteção dos mais pobres e a garantia de seus direitos têm sido o objetivo  central dos governos municipais, mas a sua busca não pode sacrificar o  equilíbrio fiscal e orçamentário também previsto em outros diplomas legais.

A Marcha 2011 não esgotou o debate em torno dos temas caros ao movimento  municipalista de São Paulo. Há anos possuímos demandas que precisam ser  equacionadas e hoje encontram-se reprimidas junto ao Governo do Estado em  diversas áreas da administração.

A participação do Governo do Estado nesta Marcha é um avanço importante na  busca destas soluções. Sem diálogo, acreditamos ser impossível a construção  de projetos duradouros e realmente eficazes na solução dos problemas que  afligem as nossas cidades e os nossos cidadãos. E ainda há um longo caminho a ser percorrido nesse sentido.

Os Municípios paulistas, como ficou provado nesta Marcha, estão dispostos a  contribuir com esse processo de acúmulos e avanços. E, para que essa semente  de diálogo germine e dê frutos, é fundamental a formação de canais  permanentes de debate conjunto.

São muitos os formatos que podem tornar concreta essa demanda. Um organismo  nos moldes do comitê de articulação federativa, que funciona em âmbito  federal, é um exemplo de sua viabilidade. A partir dele, representantes do  estado e dos municípios podem sentar-se à mesa com uma freqüência maior que  a estabelecida pelo calendário da Marcha Paulista.

A FNP/SP (Frente Nacional de Prefeitos / São Paulo) se coloca desde já à  disposição para efetivar esses canais e assim aprofundar o diálogo  federativo no Estado.

Consideramos, no entanto, a importância desta mobilização vital para manter  viva a busca pelo aprofundamento do pacto federativo e garantir o  fortalecimento do espírito municipalista aqui exaltado.



Saudações municipalistas.

São Paulo, 21 e 22 de novembro de 2011



Comissão permanente:
Dárcy Vera, Prefeita de Ribeirão Preto
Eduardo Tadeu Pereira, Prefeito de Várzea Paulista
Emidio de Souza, Prefeito de Osasco
Luiz Marinho, Prefeito de São Bernardo
Maria Antonieta, Prefeita de Guarujá
Milton Carlos de Mello, Prefeito de Presidente Prudente